24 de abril de 2018

A VARINHA MÁGICA





Belo Horizonte, sábado março de 1999.
Este foi o início da montanha-russa pela qual Denise passaria. Ela iria para o parque de diversões Guanabara perto da Lagoa da Pampulha, ela e seus amigos já tinham comprado os bilhetes. Dois deles, Caio e Diego que eram gêmeos, iriam de graça pois era seu aniversário. Sandra, Felipe, e Dayane formavam o resto do Grupo de amigos de nossa protagonista. Tão estranho quanto isso possa soar, eles tinham um sigilo, e sempre marcavam ele nos lugares onde iam juntos, pra eles isso era um jeito de deixar uma marca no mundo. Cada um dos membros do grupo tinha uma habilidade ou algo do tipo com a qual contribuía com os outros. Por exemplo, os gêmeos e a varinha mágica.

A varinha era uma peça de metal de dezoito centímetros com uma ponta aguçada e que parecia ter sido galvanizada ou posta no fogo. A peça era segurada por ambos os gêmeos e eles conseguiam escrever em qualquer superfície de madeira pedra ou metal, vidro comum quebraria, vidro temperado não dava certo. Denise estava pronta, no ponto de ônibus. Ha quinze minutos. Ela tinha seu livro e a polaroide na mochila.
“Os bons tempos e boas lembranças, que só o fogo poderá apagar.”
Estava gravado na câmera, foram os gêmeos, eles sempre agiam com um ar de que sabiam de algo que ninguém mais sabia, e faziam gravações nos objetos das pessoas sem elas verem. Na câmera dela por exemplo.

Dez minutos tinham se passado, Denise Sandra e Felipe estavam esperando os outros, Dayane ia chegar de carro, os gêmeos iam vir de ônibus ou magicamente já estariam lá dentro esperando por eles. Em geral eles se vestiam como personagens de cartum, se a camisa de um era de certa cor, a calça do outro seria dessa cor. E a mesma coisa seria com a camisa do outro e a calça do primeiro. Peças como cintos e suspensórios eram da mesma cor, óculos teriam as mesmas lentes mas armações de cores inversas. Denise, toda a paleta de cores de roupas dela era de tons acinzentados. Porem ela tinha os itens mais interessantes, como a câmera e o Livro Necromântico. Vamos falar deste livro assim que Dayane chegar.

Um carro para, uma garota loira desce do carro. Ela usa um vestido esvoaçante de cor ciano com uma estampa tropical e óculos de sol, ela vê os 4 amigos e vai sorrindo de encontro a eles, uma segunda garota desce do carro ela é gótica e está evidentemente desejando a morte de todos os presentes. Ela se parecia com a primeira porém era mais nova. Eram Dayane e a irmã mais velha.
-Oi meninos, vocês estão esperando a muito tempo? - disse a mais velha.
-Eu cheguei a vinte minutos, depois Sandra, Fê, e Dê. - informou Felipe, após confirmar o horário no seu relógio.
-Agora faltam os gêmeos, mas eles já devem estar lá dentro, e se eu fosse a Dê, já tinha olhado no livro, mas ela não quis olhar.
-Como que ela ia olhar onde os meninos estão pelo livro? - perguntou a irmã de Dayane para Sandra assim que esta terminou de falar.
-Se a Dê te cortar ou furar com uma agulha e der o seu sangue pro livro dela, depois quando ela abrir em uma página qualquer e tirar uma foto com a polaroide, a resposta da sua pergunta aparece escrita nas páginas.
-É algum truque? Tem que ser um número? Como ele faz se a resposta for apenas por palavras?
Denise põe sua mochila para frente, abre o zíper e procura algo, tira um estojo de dentro, e de dentro dele tira um objeto que um dia foi uma caneta transparente, na qual ela tinha colocado uma lâmina de metal muito afiada e pontiaguda na ponta. Após derreter a ponta de plástico, ela a fez segurar firmemente a lâmina aguçada. Ela entregou o objeto a Sandra.
-Obrigada!! - ela responde segurando o instrumento como se fosse uma cirurgiã. - Posso levantar sua saia pra fazer o corte?
-Claro que não! Como assim eu vou deixar você me cortar pra uma babaquice dessas?
-Pode perguntar qualquer coisa maninha. Qualquer coisa mesmo. Sobre aqueles testes que você fez e jogou no telado por exemplo.
Ao ouvir isso a mais velha fuzilou sua irmã com o olhar, o que fez Dayane abrir o primeiro sorriso genuíno em público naquela semana. Sandra vê os gêmeos acenando do lado de dentro do estabelecimento com pulseiras nos braços e vestidos como sempre. Ela informa aos outros e eles todos entram.

Feliz aniversário, esse par de palavras foi dito por todos os quatro. E quase todos deram um abraço em ambos, a irmã de Dayane porém deu dois abraços em Caio pensando que o segundo estava sendo dado em Diego. Eles entram e sentam num grande trem que passava por todo o parque e que seguia devagar por todos os lugares e grande parte das atrações. Dayane demanda a primeira parada no Carrossel Falecendo, essa atração era composta por um carrossel, com vários carrinhos e cavalos e animais africanos que giravam e giravam.

Todos os seis descem do trem, e vão para a pequena fila, lá eles esperam um pouco e durante a espera Sandra quebra o gelo perguntando sobre os presentes que eles tinham ganhado. Na verdade, eles não tinham ganho nada. E ambos respondem isso. Caio era o primeiro da fila seguido pelo irmão e Dayane. Os outros formavam um bolinho em vez de uma fila, e atrás deles haviam mais tantas pessoas, umas que haviam descido do trem outras que vieram andando. Em um momento cortinas fechavam as pessoas que estavam no carrossel e elas não eram mais vistas pois ficavam na plataforma esperando para o próximo trem. Chega a vez deles. O grupo tinha entradas para o dia. Podiam ir em todas as atrações quantas vezes quisessem. Caio e Diego aniversariantes também. Eles entram, cada um se posiciona em uma fera cavalo ou carro. Felipe e Day estavam em unicórnios. Caio num Corcel, o carro. Diego num Corcel, o cavalo. A mais velha estava num leão. Denise estava no colo de um gorila. Sandra estava numa mini carroça puxada por duas lulas. As luzes começam a piscar, todos os outros estavam também prontos, a música tocando, a atração começava bem rápida e a música alegre, alguns passavam na frente dos outros como se fosse uma corrida, o anunciante que estava no centro faz as cortinas de fora caírem e as que o separavam dos outros desaparecerem, sobre cada um uma arma aparece descendo pelo cano. Vindas do teto e com duas cargas cada, elas eram temáticas ao que parece, e cada um tinha a sua.

Eles vão acertando e sendo acertados, e ficando para trás, até serem cobertos por uma cortina, eis que ela começava a cobrir a todos e apenas um ficava, a cortina atrás dele então se erguia, o anunciador gira a ele e o mesmo se vê sozinho.

Aqueles que tinham passado pela cortina e essa atração tinha uma quantidade enorme dessas, eram iluminados por uma luz especial que faziam o brinquedo parecer um objeto fantasmagórico. As lulas formavam um decrepito kraquen, os cavalos e unicórnios ficavam descarnados, os carros enferrujados e as feras se tornavam zumbis humanos, gritos, estrondos, sirenes, barulhos de explosões. Uma cacofonia se fazia ao redor deles. O passeio todo durava vinte minutos e eles estavam então na plataforma esperando o trem.

-Vamos de novo depois, Caio adorou. - disse Diego, - E eu também.

O trem chega, eles sobem, cinco sobem na verdade. Denise estava no banheiro. Girar e girar havia feito ela se lembrar da maneira mais desagradável possível de seu almoço e café da manhã. Ela perde o trem de passageiros. Após este o trem de Staff passaria. Ela explica sua situação e deixam ela entrar. O veículo de Staff não parava sempre aonde o outro parava. No caso eles a estavam esperando em frente ao Labirinto de Gesso, e nele o trem da Staff não parava, ela podia descer três quilômetros antes ou um quilômetro depois. Ela desce na parada da Máquina Cartoquiromante. E então volta andando ao redor da grande máquina, ela tinha três cabeças e vários braços. Os olhos dela pareciam sempre olhar para seus clientes. Um truque ótica aplicado a esculturas. Atrás da máquina ela vê uma porta aberta, porém ela tinha muito medo para entrar sozinha. Ainda que ela estivesse interessada.

A caminhada foi salpicada de vários momentos olhando para trás, a garota queria entrar, com certeza queria. A loira alta nota o olhar dela e fala com sua irmã.

-Day, aquela menina sempre fica desse jeito? Parece você quando acaba algum preto nas suas makes.
-Não, ela é mais animadinha, Val. Vai lá falar com ela.

O labirinto era uma série de paredes amórficas de gesso, e um martelo. Você tinha de quebrar as paredes certas. Ou você caia em um poço com serragem, plumas, poeira ou teia de aranhas falsa. A partir da segunda parede não tinha quase luz nenhuma. E cada pessoa entrava sozinha. Algumas paredes iam para cima e outras para baixo, era um lugar muito assustador após ficar mais de trinta minutos procurando a saída. Após esse tempo na verdade, você era resgatado pela staff e tiravam uma foto sua, pra não deixarem entrar mais, colocavam o tempo passado lá dentro e a data. No mural com fotos havia justamente uma foto de Caio e Diego. Três anos antes.

Denise não gostava do Labirinto. Ela ficou com os gêmeos do lado de fora.
-Como vocês fizeram pra entrar lá dentro e ficar por cinquenta minutos.
-Cinquenta e cinco.
-Nós enganamos eles os fazendo pensar que uma criança não tinha entrado e na verdade tinha. Primeiro Caio entrou, e ficou parado na primeira sala.
-Depois, Diego entrou e foram juntos indo pelo lugar.
-Caio estava a vinte minutos quando Diego enganou o vigia pra entrar e desde então são sempre dois vigias.
-ENTÃO, vocês geraram um emprego?
Eles respondem em uníssono: sim.

Todos os outros quatro fora, faltava apenas decidirem qual seria o próximo brinquedo, já eram seis horas da noite, Valquíria pergunta a Denise.
-Você está estranha depois de ter se separado. Me fala o que é?
-Eu, na verdade vi uma porta pra dentro da máquina que lê as mãos. E eu queria entrar. Você quer vir comigo? Que foi Valéria?
-Valquíria. Bem se é só isso, acho que podemos ir só nós duas e vermos o que tem lá dentro.

Alguns metros depois elas acabam por encontrar com os outros, mais alguns e eles também ficaram curiosos. No meio do caminho, Valquíria tinha dado com a língua nos dentes. E todos tinham decidido entrar ou ajudar no plano de algum jeito. Isso é, se eles coubessem dentro da máquina.

Sábio, seria prosseguir o conto no ponto de vista de Caio, Denise ou de Valquíria. Eis que seu narrador não pode escolher sozinho.


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