Belo Horizonte,
sábado março de 1999.
Este foi o início
da montanha-russa pela qual Denise passaria. Ela iria para o parque
de diversões Guanabara perto da Lagoa da Pampulha, ela e seus amigos
já tinham comprado os bilhetes. Dois deles, Caio e Diego que eram
gêmeos, iriam de graça pois era seu aniversário. Sandra, Felipe, e
Dayane formavam o resto do Grupo de amigos de nossa protagonista. Tão
estranho quanto isso possa soar, eles tinham um sigilo, e sempre
marcavam ele nos lugares onde iam juntos, pra eles isso era um jeito
de deixar uma marca no mundo. Cada um dos membros do grupo tinha uma
habilidade ou algo do tipo com a qual contribuía com os outros. Por
exemplo, os gêmeos e a varinha mágica.
A varinha era uma
peça de metal de dezoito centímetros com uma ponta aguçada e que
parecia ter sido galvanizada ou posta no fogo. A peça era segurada
por ambos os gêmeos e eles conseguiam escrever em qualquer
superfície de madeira pedra ou metal, vidro comum quebraria, vidro
temperado não dava certo. Denise estava pronta, no ponto de ônibus.
Ha quinze minutos. Ela tinha seu livro e a polaroide na mochila.
“Os bons tempos e
boas lembranças, que só o fogo poderá apagar.”
Estava gravado na
câmera, foram os gêmeos, eles sempre agiam com um ar de que sabiam
de algo que ninguém mais sabia, e faziam gravações nos objetos das
pessoas sem elas verem. Na câmera dela por exemplo.
Dez minutos tinham
se passado, Denise Sandra e Felipe estavam esperando os outros,
Dayane ia chegar de carro, os gêmeos iam vir de ônibus ou
magicamente já estariam lá dentro esperando por eles. Em geral eles
se vestiam como personagens de cartum, se a camisa de um era de certa
cor, a calça do outro seria dessa cor. E a mesma coisa seria com a
camisa do outro e a calça do primeiro. Peças como cintos e
suspensórios eram da mesma cor, óculos teriam as mesmas lentes mas
armações de cores inversas. Denise, toda a paleta de cores de
roupas dela era de tons acinzentados. Porem ela tinha os itens mais
interessantes, como a câmera e o Livro Necromântico. Vamos falar
deste livro assim que Dayane chegar.
Um carro para, uma
garota loira desce do carro. Ela usa um vestido esvoaçante de cor
ciano com uma estampa tropical e óculos de sol, ela vê os 4 amigos
e vai sorrindo de encontro a eles, uma segunda garota desce do carro
ela é gótica e está evidentemente desejando a morte de todos os
presentes. Ela se parecia com a primeira porém era mais nova. Eram
Dayane e a irmã mais velha.
-Oi meninos, vocês
estão esperando a muito tempo? - disse a mais velha.
-Eu cheguei a vinte
minutos, depois Sandra, Fê, e Dê. - informou Felipe, após
confirmar o horário no seu relógio.
-Agora faltam os
gêmeos, mas eles já devem estar lá dentro, e se eu fosse a Dê, já
tinha olhado no livro, mas ela não quis olhar.
-Como que ela ia
olhar onde os meninos estão pelo livro? - perguntou a irmã de
Dayane para Sandra assim que esta terminou de falar.
-Se a Dê te cortar
ou furar com uma agulha e der o seu sangue pro livro dela, depois
quando ela abrir em uma página qualquer e tirar uma foto com a
polaroide, a resposta da sua pergunta aparece escrita nas páginas.
-É algum truque?
Tem que ser um número? Como ele faz se a resposta for apenas por
palavras?
Denise põe sua
mochila para frente, abre o zíper e procura algo, tira um estojo de
dentro, e de dentro dele tira um objeto que um dia foi uma caneta
transparente, na qual ela tinha colocado uma lâmina de metal muito
afiada e pontiaguda na ponta. Após derreter a ponta de plástico,
ela a fez segurar firmemente a lâmina aguçada. Ela entregou o
objeto a Sandra.
-Obrigada!! - ela
responde segurando o instrumento como se fosse uma cirurgiã. - Posso
levantar sua saia pra fazer o corte?
-Claro que não!
Como assim eu vou deixar você me cortar pra uma babaquice dessas?
-Pode perguntar
qualquer coisa maninha. Qualquer coisa mesmo. Sobre aqueles testes
que você fez e jogou no telado por exemplo.
Ao ouvir isso a mais
velha fuzilou sua irmã com o olhar, o que fez Dayane abrir o
primeiro sorriso genuíno em público naquela semana. Sandra vê os
gêmeos acenando do lado de dentro do estabelecimento com pulseiras
nos braços e vestidos como sempre. Ela informa aos outros e eles
todos entram.
Feliz aniversário,
esse par de palavras foi dito por todos os quatro. E quase todos
deram um abraço em ambos, a irmã de Dayane porém deu dois abraços
em Caio pensando que o segundo estava sendo dado em Diego. Eles
entram e sentam num grande trem que passava por todo o parque e que
seguia devagar por todos os lugares e grande parte das atrações.
Dayane demanda a primeira parada no Carrossel Falecendo, essa atração
era composta por um carrossel, com vários carrinhos e cavalos e
animais africanos que giravam e giravam.
Todos os seis descem
do trem, e vão para a pequena fila, lá eles esperam um pouco e
durante a espera Sandra quebra o gelo perguntando sobre os presentes
que eles tinham ganhado. Na verdade, eles não tinham ganho nada. E
ambos respondem isso. Caio era o primeiro da fila seguido pelo irmão
e Dayane. Os outros formavam um bolinho em vez de uma fila, e atrás
deles haviam mais tantas pessoas, umas que haviam descido do trem
outras que vieram andando. Em um momento cortinas fechavam as pessoas
que estavam no carrossel e elas não eram mais vistas pois ficavam na
plataforma esperando para o próximo trem. Chega a vez deles. O grupo
tinha entradas para o dia. Podiam ir em todas as atrações quantas
vezes quisessem. Caio e Diego aniversariantes também. Eles entram,
cada um se posiciona em uma fera cavalo ou carro. Felipe e Day
estavam em unicórnios. Caio num Corcel, o carro. Diego num Corcel, o
cavalo. A mais velha estava num leão. Denise estava no colo de um
gorila. Sandra estava numa mini carroça puxada por duas lulas. As
luzes começam a piscar, todos os outros estavam também prontos, a
música tocando, a atração começava bem rápida e a música
alegre, alguns passavam na frente dos outros como se fosse uma
corrida, o anunciante que estava no centro faz as cortinas de fora
caírem e as que o separavam dos outros desaparecerem, sobre cada um
uma arma aparece descendo pelo cano. Vindas do teto e com duas cargas
cada, elas eram temáticas ao que parece, e cada um tinha a sua.
Eles vão acertando
e sendo acertados, e ficando para trás, até serem cobertos por uma
cortina, eis que ela começava a cobrir a todos e apenas um ficava, a
cortina atrás dele então se erguia, o anunciador gira a ele e o
mesmo se vê sozinho.
Aqueles que tinham
passado pela cortina e essa atração tinha uma quantidade enorme
dessas, eram iluminados por uma luz especial que faziam o brinquedo
parecer um objeto fantasmagórico. As lulas formavam um decrepito
kraquen, os cavalos e unicórnios ficavam descarnados, os carros
enferrujados e as feras se tornavam zumbis humanos, gritos,
estrondos, sirenes, barulhos de explosões. Uma cacofonia se fazia ao
redor deles. O passeio todo durava vinte minutos e eles estavam então
na plataforma esperando o trem.
-Vamos de novo
depois, Caio adorou. - disse Diego, - E eu também.
O trem chega, eles
sobem, cinco sobem na verdade. Denise estava no banheiro. Girar e
girar havia feito ela se lembrar da maneira mais desagradável
possível de seu almoço e café da manhã. Ela perde o trem de
passageiros. Após este o trem de Staff passaria. Ela explica sua
situação e deixam ela entrar. O veículo de Staff não parava
sempre aonde o outro parava. No caso eles a estavam esperando em
frente ao Labirinto de Gesso, e nele o trem da Staff não parava, ela
podia descer três quilômetros antes ou um quilômetro depois. Ela
desce na parada da Máquina Cartoquiromante. E então volta andando
ao redor da grande máquina, ela tinha três cabeças e vários
braços. Os olhos dela pareciam sempre olhar para seus clientes. Um
truque ótica aplicado a esculturas. Atrás da máquina ela vê uma
porta aberta, porém ela tinha muito medo para entrar sozinha. Ainda
que ela estivesse interessada.
A caminhada foi
salpicada de vários momentos olhando para trás, a garota queria
entrar, com certeza queria. A loira alta nota o olhar dela e fala com
sua irmã.
-Day, aquela menina
sempre fica desse jeito? Parece você quando acaba algum preto nas
suas makes.
-Não, ela é mais
animadinha, Val. Vai lá falar com ela.
O labirinto era uma
série de paredes amórficas de gesso, e um martelo. Você tinha de
quebrar as paredes certas. Ou você caia em um poço com serragem,
plumas, poeira ou teia de aranhas falsa. A partir da segunda parede
não tinha quase luz nenhuma. E cada pessoa entrava sozinha. Algumas
paredes iam para cima e outras para baixo, era um lugar muito
assustador após ficar mais de trinta minutos procurando a saída.
Após esse tempo na verdade, você era resgatado pela staff e tiravam
uma foto sua, pra não deixarem entrar mais, colocavam o tempo
passado lá dentro e a data. No mural com fotos havia justamente uma
foto de Caio e Diego. Três anos antes.
Denise não gostava
do Labirinto. Ela ficou com os gêmeos do lado de fora.
-Como vocês fizeram
pra entrar lá dentro e ficar por cinquenta minutos.
-Cinquenta e
cinco.
-Nós enganamos eles
os fazendo pensar que uma criança não tinha entrado e na verdade
tinha. Primeiro Caio entrou, e ficou parado na primeira sala.
-Depois, Diego
entrou e foram juntos indo pelo lugar.
-Caio estava a vinte
minutos quando Diego enganou o vigia pra entrar e desde então são
sempre dois vigias.
-ENTÃO, vocês
geraram um emprego?
Eles respondem em
uníssono: sim.
Todos os outros
quatro fora, faltava apenas decidirem qual seria o próximo
brinquedo, já eram seis horas da noite, Valquíria pergunta a
Denise.
-Você está
estranha depois de ter se separado. Me fala o que é?
-Eu, na verdade vi
uma porta pra dentro da máquina que lê as mãos. E eu queria
entrar. Você quer vir comigo? Que foi Valéria?
-Valquíria. Bem se
é só isso, acho que podemos ir só nós duas e vermos o que tem lá
dentro.
Alguns metros depois
elas acabam por encontrar com os outros, mais alguns e eles também
ficaram curiosos. No meio do caminho, Valquíria tinha dado com a
língua nos dentes. E todos tinham decidido entrar ou ajudar no plano
de algum jeito. Isso é, se eles coubessem dentro da máquina.
Sábio, seria
prosseguir o conto no ponto de vista de Caio, Denise ou de Valquíria.
Eis que seu narrador não pode escolher sozinho.