Era o dia da audiência e novamente ela iria ser testada com o
polígrafo enquanto fariam as perguntas. Diferente de audiências convencionais
quando você é trazida de volta para a terra com poderes psíquicos elevados após
ter feito uma viagem com alienígenas eles te interrogam com choques elétricos
um termômetro retal que vai ser retirado e recolocado varias vezes um
termômetro sob cada axila e um polígrafo. Danem se os direitos humanos, você
talvez não seja mais humano.
Alberta já sabia como tudo iria ocorrer e nada mais era surpresa
pra ela. tudo ocorreu como de costume. Qual seu nome, onde você nasceu você
teve contato com extraterrestres, como se chama sua mãe, você foi adotada, os
alienígenas fizeram experiências com você, qual o nome do seu pai, você foi
violentada de qualquer forma, musicas você gosta, você sabe o que é
telecinesia, pode mover essa pluma, essa esfera de madeira, tente deformar esse
cubo de aço ate que ele fique redondo... As perguntas seguiam por 6 horas. No
final ela sempre estava deitada no teto com cada fio de cabelo formando uma
frase de um livro diferente mudando a cor e formato de duas ou três coisas ao
mesmo tempo. Havia sempre cinco homens armados e quatro metralhadoras apontados
para a cabeça dela. Havia também um lazer. Sempre duas enfermeiras uma de cada
lado.
A sala de tortura nunca era a mesma. O padrão do azulejo no piso
era sempre diferente e nunca se repetia. A posição das lâmpadas as vezes estava
correta porem o piso era inegavelmente díspar todas as vezes. Os guardas
armados sempre eram de patente baixa e todos na sala eram muito novos o mais
velho era o interrogador, ele sempre se repetia quase perfeitamente, ate as
duas horas finais quando toda a sua criatividade aflorava. E o interrogador
usava todo seu arsenal de ideias e ela era colocada realmente a prova.
Era mensal, sempre mensal. Mas depois dessa visita, a de numero
37, ela foi levada pra outra cela. Essa era de vidro. Vidro por todos os lados
menos um, e do outros lados ela sentia uma presença. Havia uma cadeira de
acrílico uma mesa com uma tela redonda deitada sobre ela. Um circulo apareceu e
por cima dele um triângulo onde ficaria o queixo, se fosse um rosto humano,
depois duas ovais inclinadas onde seriam as orelhas e um rosto feminino
apareceu pouco a pouco, o cabelo feito meca por meca tinha grandes cachos.
Alberta plantou sua mão ao lado do desenho e ele parou. seja quem quer que
desenhe seu rosto antes de ter o cabelo raspado e ganhar as olheiras parou. e
plantou sua mão na mesa.
Mão ou pata tinha três dedos apontando para frente e mais dois que
apontavam para as diagonais de trás. A mão parecia-se mais com uma aranha
quando estava toda aberta. com todos os dedos, e eles pareciam não acabar,
deviam ser no mínimo 10. mas nao mais de 20. algo que traria no mínimo espanto
para qualquer um de nos, trouxe apenas uma lágrima pra Alberta, uma lágrima de
saudade. era com certeza a mão de um deles, um dos seres sem nomes que saiam
por debaixo da terra e que não eram desse planeta.
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